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Metida? Eu?

Por Nina Lemos

A Adriana era a menina mais metida da escola. Nunca quis ser como ela. Cheguei a negar integrar a “turma da Adriana” e ganhar popularidade rápida na escola só porque eu achava que ela era metida, quer dizer, todo mundo achava, e eu não queria ser metida não.

Muitos anos se passam. E descubro que a moça aqui, carioca populista, virou a Adriana. Sim, eu tenho fama de metida. Faz-me rir. Mas também me preocupa.

Cuidado com os rótulos que os rótulos te pegam.

“Vocês são as mulheres que se vestem bem e são metidas”, diz um amigo para mim e para a Jô. Ta, essa parte de se vestir bem é legal. Agora. Metidas? Como assim? Continuo a enquête. “Ei, você me acha metida?”, pergunta para um cara da mesa. “Você é metida desde que nasceu”, ele diz.

Desisto de explicar para ele que não é verdade, que eu nunca quis fazer parte da turma da Adriana etc etc e passo a conviver com esse rótulo que pra mim é novo. Virei uma moça metida. Quem diria!!!

Será que terei que mudar de comportamento? E o que eu fiz para virar uma metida?

“Você não é metida. É psicanalisada”,diz X.

“É defesa”, explico para os caras da mesa, mas ninguém se convence. Então, ta. Eu sou metida. E estou pronta para entrar, 20 anos depois, para a turma da Adriana. Será que ela tá no Orkut?

 

:: Escrito por 02 Neurônio às 08h35

Sonhadores de segunda mão

“Dá-me sonhos teus para eu brincar” (Alberto Caeiro)

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Desde ontem dei para acreditar no amor entre livros.
Caminhávamos entre as barraquinhas de antiguidade quando avistamos, entre uma Cruzeiro e a Enciclopédia do Pequeno Aprendiz completa e em estado perfeito, aquela capa de azul encardido e uma conhecida tipografia. Um exemplar de “O moço e seus problemas” , do Doutor Harold Shryock. Sadias diretrizes para o bem estar físico, psíquico e espiritual.

Fizemos como qualquer moça (e seus problemas), sorteando um trecho para brincar de oráculo. Abro na página 141, capítulo 14: “Sonhadores de segunda mão”.
“O escritor é pago pelos seus devaneios”, explica o médico, enquanto adverte aos jovens o perigo da leitura de ficção. “Uma questão da literatura imaginativa é o desperdício de tempo. E a vida, na melhor das hipóteses, é curta”.

E quanto tempo faz? Mais de dez anos. Ele apareceu lá em casa, fã de cinema marginal, cabelos brancos apesar dos vinte e poucos anos e um presente embrulhado em saco de supermercado. Uma edição da Casa Publicadora Brasileira, capa rosa encardida de “A moça e seus problemas”.

Logo estarão reunidos, finalmente, a moça e o moço. Com todos os seus problemas.
Juntos para sempre na estante lá de casa.

Pois a vida, na melhor das hipóteses, é curta.


(A Nina, pelo Pessoa e pelo domingo.
A Remier, pelo "A Moça e seus Problemas")

:: Escrito por Jô Hallack às 02h24