Adio diariamente tal sacrifício. Prefiro ficar em casa lendo o abaixo assinado para libertar a menina pixadora (tem coisa mais idiota do que ler abaixo assinado?), tentando trabalhar, ligando para os amigos, fazendo festas bem malucas e inventando confusões. Faço qualquer coisa. Menos as compras de Natal.

Vale dizer que a única tradição que ainda existe na minha família é a do Natal. A do consumo. A de comprar "presente para TODO MUNDO". Um todo mundo enorme, que aumenta todos os anos porque as pessoas todas do mundo têm filho, menos eu. Se eu deixar de cumprir essa tradição, minha família praticamente acabará. Eles não estão preparados para que alguém chegue de mãos abanando. Isso provocaria desmaios e talvez o fim do mundo, tamanho o "absurdo do fato".

Fico aqui, sem vontade de fazer as compras. Nem a lista de compras. E essa noite, provavelmente, terei outro pesadelo com a minha mãe. Se vocês souberem que alguma família acabou, assim, de forma sumária no dia 24, em um tipo de evento sobrenatural, podem ter certeza. Foi a minha. E eu, claro, fui a culpada.

(Nina Lemos)