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Socorro! O meu cabelo!

Quando eu gritei essa frase meu amigo levou um susto. A gente estava no carro, noite de São Paulo, em direção ao templo punk brega, um dia depois da cidade ter sofrido mais um monte de ataques. Meu cabelo estaria pegando fogo? Caindo?

"Nina, você está ficando maluca. É sério."

Quando essa frase é dita por um amigo perturbado, é pra ser levada a sério. Não havia nada de grave com o cabelo. Ele continuava preso ao meu couro cabeludo. Eu só não sabia o que fazer com uma ponta que pulava na frente. Bem, eu to deixando o cabelo crescer. Coloco para o lado esquerdo ou para o direito?

O drama passou depois da bronca do amigo. Mas quando o mundo te prega várias pegadinhas do mal, quando você se sente meio desconectada de muita gente com quem já foi conectada e aceita isso, quando, além de tudo, a cidade pega fogo e os carros importados continuam a cruzar seu caminho com o vidro a prova de bala fechado (oh, silêncio indiferente de São Paulo... existe sim algo que precisa ser gritado. E ao invés de gritar: Socorro, o mundo! Eu gritei: socorro, meu cabelo!

Mas passou. Inclusive escrevo isso recuperada do estado de melancolia que eu sei, faz parte da vida. Assim como faz parte a escova dar errado e ficar um tufo bizarro na frente. É a vida. Fazer o quê? Um iê-iê-iê. E o cabelo? Ah, quem precisa de cabelo direito quando tem a alma levemente recuperada apesas das pegadinhas insistentes da vida? 

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 19h03
You only live once *
8h da manhã. Seu filho te acorda com um beijão. Fofo, não fosse a ressaca. Madrugada anterior. São Paulo sem táxi! PCC conseguiu. Abalou geral. Agora alguém vai ter que se tocar, incluindo aí os jovens que não ligam para a política estudantil (isso foi um pensamento da mesa do bar, mas esqueci exatamente os argumentos, só me lembro dessa linha geral).
Mas seu assunto agora é outro. Seu filho está com um horrível cabelo capacete. Com a graça de Deus, quer dizer, de seus genes, o cabelo dele é incrível. E cresce que nem mato. E você tem que cortar sempre.
Só que cortar cabelo de criança não é uma tarefa muito fácil. Você, que na adolescência cortava o cabelo das amigas, já tentou umas duas vezes. E deu totalmente errado.
Você vai no salão que tem aqueles carrinhos, para os bebês sentarem e deixarem o cabeleireiro fazer seu trabalho em paz. Mas o cabeleireiro tá atrasado. "É o trânsito, tá um horror. Culpa do PCC.", me explica a recepcionista. Tudo agora virou culpa do PCC.
Vou para outro salão. Agora resolvo arriscar num barbeiro. O filho tem um ataque de choro, talvez já pressentindo que o corte não vai ficar bom. O Seu Barbeiro sugere: "Você senta com ele no colo pra segurar bem forte". Como assim, eu penso? Além de ficar cheia de cabelo, o moleque vai ficar se esgoleando. "Não, eu corto com máquina, vai ser rapidinho". Eu desisto. "Se você não se esforçar, não vai conseguir", me repreende o Seu Barbeiro.
COMO ASSIM NÃO ME ESFORÇAR?! Eu enfrentei uma madrugada sem táxi; eu fui em dois lugares mesmo assim; eu acordei de ressaca; fui em dois salões. Como assim, não me esforçar?!
Eu olho pro cabelo capacete do bebê e vejo que não está tão ruim assim. Mais um pouco, e pode ficar estilo cuia, que nem os Ramones. E o corte fica pra depois.

* Esse título nada tem a ver com o conteúdo acima. Na verdade, é só uma constatação. Cansei se ouvir essa música no Repeat, desde que botei reparo nela, mais precisamente no dia 9 de maio, no avião para Londres. Desde dessa época, resolvi liberar o mosh emocional. Mas não lembrei do básico: para liberar o mosh emocional, você tem que ver bem onde vai cair. Porque se não tiver alguém pra te segurar, o tombo vai ser feio.
:: Escrito por raq affonso às 09h50

Processo de desdemonização do alheio

Para romper, geralmente a gente tem que endemoniar. Não vá dizer, baby, que isso é coisa minha, coisa de quem tem pouco amor no coração (na verdade eu tenho um monte), ou pouca civilidade (eu tenho um monte). Isso eu aprendi com a vida e com a psicanálise.

Quando vim morar em SP, precisei odiar o Rio. Hoje, posso amar os dois lugares e simplesmente preferir morar aqui, mesmo com os ataques do PCC. Entendeu a metáfora? Você tem que pintar um diabo quando se separa de alguém. O tempo passa. E isso vira desnecessário. Na real, uma hora você cansa até de ter bode.

Mas como desdemonizar alguém? Não tem igreja que te ensine a fazer isso. E você tem que auto-tirar um demônio da pessoa. Que no caso é você mesma.

É preciso lembrar de bons momentos. É preciso repetir o clichê: "às vezes as coisas não dão certo". É bom lembrar que não tinha mesmo porque dar. E que a vida segue. O ex não é um demônio só porque o amor deu errado. Não, não é.

Mas porque entrar no difícil processo de desdemonização do alheio?

Pra tirar um peso e perder a mágoa. Acho que é só por isso. E pra estar melhor na hora em que o novo amor chegar. E também porque ter raiva cansa.

PS. Esse é um processo pessoal e intransferível que não requer a participação do alheio. Vale mandar e-mail dizendo que entrou no processo. Mas só como desabafo. Se ele não responder, dane-se. Quem quer se livrar é você.  

(Por Nina Lemos) 

:: Escrito por 02 Neurônio às 19h08
Draminhas nada dramáticos 1

Dia dois pais é aquele drama

Muito pior do que o dia das mães na hora da escolha dos presentes.

Porque mães são como nós: peruas incondicionais. Pai não. A não ser o seu pai seja o personagem da Gaiola das Loucas.

Para mãe, você pode dar uma bolsa nova, um sapato novo, um creme novo. Pai não. Não dá para dar creminho para pai na esperada data. Ele pode se transformar num metrossexual e a culpa vai ser sua! Camisa você já deu no ano passado. Casaco, no ano retrasado. Daí você começa a apelar: um bom cinto. Uma carteira. Acessórios marrons.

Você resolve ousar e entrar em lojas de streetwear. E percebe que vai comprar roupas que vão transformar seu pai no... André de Biasi.Tem pessoas que tem a sorte – como eu – de terem nascidas filhas de pais temáticos. Tipo pai que gosta de “Jornada da estrelas”. Aí você dá o DVD comemorativo. Depois o DVD comemorativo que só foi lançado na Coréia. E depois do DVD Premium Edição Limitada Especial Para Etíopes Surdos. E chega uma hora que você tem que mudar de tema. Porque não dá para comprar um uniforme trekker e transformar seu pai num idiota.

 

Socorro, estou sendo atacada por uma horda de carteiras marrons selvagens!!

 

:: Escrito por Jô Hallack às 11h13
Dr. Ambrósio: o homem, o mito, a lenda

Quer emagrecer? Pergunte-me como!

Tudo começou há uns seis meses, quando eu perguntei por engano pra uma amiga se ela tinha um bom médico de regime. Eu tinha decidido me livrar do excesso de fofura que andava rondando minha barriga e adjacências. Ela me segredou: "Tem um médico fantástico, homeopata, opera milagres. Mas fica num muquifo, bem longe". Ok, muquifo é comigo mesmo! E lá fui eu, me consultar com o homem que opera milagres num consultório em cima de uma imobiliária, do lado do metrô Conceição.

Lá, Dr. Ambrosio começa a me perguntar uma série de coisas bizarras: qual minha cor preferida; eu preferia ser um rio, uma pedra ou sei lá o que; prefiro meu pai ou minha mãe. Nossa, daqui a pouco ele vai receber um santo que vai sugar toda a minha gordura, penso eu. Ele começa a escrever várias coisas num papel e finalmente me passa a dieta: nada de carboidrato, açúcar, bebida. E receita umas cápsulas fitoterápicas para dar uma força. Afinal, no primeiro dia eu só podia tomar gatorade e chá. Além de uns papaias.

Saio meio desorientada. Mas depois de ir até os cafundó resolvo que vou seguir a dieta. Afinal, não me custa. Quer dizer, custa pra caramba, mas hey ho! E um mês e meio depois, o milagre foi operado: 8 quilos a menos. Sim, Raq versão 2006, totalmente magra.

E aí a fama do milagreiro se espalhou. Pessoas me param, eu tenho que dar testemunhos detalhados sobre a dieta. Pessoas me ligam, falam que ouviram falar. Pessoas me encontram em eventos sociais e não me reconhecem, ficam chocadas. E Dr. Ambrósio só recebendo mais e mais pacientes.

E viramos todos uns malucos seguidores da seita Dr. Ambrósio. Que para os íntimos virou Dr. Procópio. Ave, Ambrósio-Procópio.

:: Escrito por raq affonso às 13h29