UOL Estilo UOL Estilo






Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese

Neste blog Na Web

 Visitas  
 
A cultura e a franja

 

Sábado em São Paulo. Pra variar, você vai fazer um programa "culto". Ir numa exposição. Dos Gêmeos, grafiteiros bacanas. Afinal, museu chato você só vai quando tá na Europa. E ainda fica na sessão das múmias. Rs,rs,rsr,s,rs,rs.

Só que chegando lá, você percebe que um monte de gente resolveu fazer o mesmo. E a galeria é pequena. Muito calor. Muita gente batendo foto com celular. Na sessão das múmias do British Museum não tinha tanto gente batendo foto. Mas todo muito quer uma foto das obras dos Gêmeos.

Sua amiga que também quer fazer um programa culto chega bem depois. E vocês resolvem tomar alguma coisa no boteco da esquina pra esperar esvaziar um pouco. Afinal, acabou de chegar uma excusão de crianças de 5 anos.

Quando você voltam, encheu ainda mais. Tem fila. E daí você tem uma idéia excelente: vamos tomar uma cerveja pra esperar!

E você fica lá bebendo. E bebendo. E bebendo. E quando volta pra o seu programa culto, a galeria fechou.

Então, para não "desperdiçar" seu dia, você resolve fazer um programa mais característico e não tão culto: ir no salão cortar o cabelo.

E sai de lá com uma FRANJA! Sim, uma franja aos 33 anos de idade.

Isso que dá querer frequentar exposições!

:: Escrito por raq affonso às 20h42
Então... Vamos!

Primeiro dia. A amiga liga chamando para um drink mais tarde. Você sabe que seria de uma irresponsabilidade infinita sair naquela noite. Você deveria virar a noite trabalhando. Mas? Sim, Vamos!

Segundo dia. Depois de se ferrar para conseguir entregar os trabalhos que atrasou por causa do drink com as amigas, você se livra só onze da noite. Encontra o menino na rua. "Vamos jantar?" "Vamos!"

Terceiro dia. Você acorda atrasada porque a conversa rendeu horas e foi ótima. Outra amiga liga. "Vamos almoçar?". Ainda falta um trabalho que não deu tempo de entregar mas... "vamos!"

No mesmo dia. A amiga liga pra saber se está de pé acordar bem cedo para ir a um bazar incrível. "Vamos!". A reunião de trabalho vira conversa ótima na casa de outros amigos. Já está tarde demais. Mas.. "Vamos"

Tem horas em que a vida volta a ficar divertida. E é quando você diz sim. Se você for meu amigo amado e quiser me chamar pra sair, não se acanhe. No momento, viciei nessa palavra: "Vamos!". (Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 00h47
A amabilidade daqueles que querem te fuder

Não são nem nove da manhã , camisolinha e remelas nos olhos. O telefone toca. Do outro lado da linha, ela é amável, uma simpatia só, quase amor, um anjo.
- Olá! Bom dia! Dona Giovana? É que você atrasou 3 dias e 15 segundos no pagamento da primeira parcela da renovação do seu seguro de carro.
Eu o que? Me arrasto pela casa tentando alcançar o pote de café.
E ela, mais doce que um suspiro:
- Mas não tem problema! Só que agora você terá que ir fazer uma nova vistoria!

Um segundo de silêncio enquanto tento digerir esta informação. Nova vistoria? O que isso significa? Como assim? Como? O quê? Dentro do meu cérebro, uma ajudante do mágico segura um cartaz onde se lê: "você se fudeu".

Não! Não posso. Tenho trabalho, meu chefe não me deixa faltar, vou tirar meu pai da forca, levar as crianças na creche. Tenho hora no dentista. Vou passar o dia inteiro catando coquinhos. Não posso ficar nem mais um minuto com você. Juro que pago logo que o banco abrir! Ela, do outro lado, irredutível. Imploro. Imploro o perdão simpaticamente. Me humilho. Digo que mereço 100 chibatadas. Multa. Qualquer coisa para não ir fazer a vistoria.

E ela, fofa, muito fofa, mais fofa que todas as fofoletes do mundo reunidas num simpósio da fofura mundial.
- Ah! Agora não dá. Sem a vistoria não poderemos renovar o seguro do seu carro! Sim, seu carro, que está a partir de hoje sem cobertura. 

Sim, essa piranha safada se fazendo de amiga quer mesmo me fuder. É isso mesmo. Começo a me transformar, neste instante, no monstro de Lockness, num minotauro, num chupacabra de pijaminha, num meteoro chinês a soltar fogo pelas ventas, numa besta demônia. Grito. Choro. Esperneio. Bato o telefone na cara da querida.

Apenas um gesto dramático idiota e inútil: eu me ferrei. E esta vaca ordinária ainda  vem com educação. É essa gente que sempre gosta de nos fuder. Corretor de seguro, representante de plano de saúde, gerente de banco, são eles que nos tratam com mais amabilidade. Gerente de banco, agora, é "parceiro de relacionamentos". Sim, gerente de banco, a entidade lucrativa criadora do juro do cheque especial!  Parceiro de relacionamentos? Isso também inclui sexo? Ir ao cinema aos domingos?

Pois da  próxima vez, exijo menos cinismo. “Sua idiota, você se esqueceu de pagar o boleto do seguro, otária, moradora do Rio de Janeiro, cidade que tem um roubo de carro a cada minuto. É mané, agora se fudeu. Vai para a vistoria, palhaça!”.
Isso seria mais justo. E uma lagriminha de puro ódio da montanha começa a escorrer enquanto eu procuro a minha calça jeans

:: Escrito por Jô Hallack às 20h05
A arte de deixar a escova de dentes na casa da pessoa amada

 

Você não sabe se ele está a fim. De vez em quando ele some.  E reaparece. Dizem que foi visto no outro lado da cidade com uma nega em trajes salientes. “Ele só quer é me comer”.  “E achas pouco?” , retruca assim um amigo nosso. Nem é. Mas à vezes queremos mais. Queremos escrever nossos nomes num tronquinho velho de uma árvore. Queremos fingir que seremos felizes para sempre até a chegada de netos. Ou pelo menos até o fim do mês. Queremos poder contar como foi nosso dia e ouvir do outro lado alguém dizendo que tudo vai dar certo.  E também queremos luxúria e perdição, de segunda a segunda, inclusive aos sábados, domingos e feriados santos, sem precisar marcar hora.

Não é pedir muito.
Mas um dia você conclui que isso não vai é dar em nada. Só em sexo. O que – vá lá - não é pouca coisa.

A saída é flanar por outras freguesias. Mas eis que de repente...
...Ele se transforma no gatilho mais rápido do Oeste

E, quando você menos espera, lá está ela. Cerdas verticais que alcançam até o seu eu interior. Uma linda escova de dentes, a mais linda de todas. Mesmo que seja também a mais vagabunda,  aquela de lojinha de  parada de ônibus, aquela de cabo dobrável. Bem do lado da sua, no copinho do banheiro.
Bandeira branca amor.

É  só correr para o amasso. Quer dizer, para o abraço.

 

PS: Dedicado ao Garoto do Capuz, rapaz de sorriso alvo e dentes fortes, cuja Oral B solitária ganhou, desde a noite de ontem, uma nova companhia.

:: Escrito por Jô Hallack às 00h12
Domingo de quem não tem amor

Num dia Smithiano (céu cinza, chuva fraca e ainda por cima é domingo) ela acorda e lembra que não tem nenhum amor. O cachorro vênus foi roubado. 

Para a massa ignara de gente sem cérebro ela é mais divertida quando inventa que um fulano que só viu poucas vezes "é seu novo pretê" e conta ótimas histórias de como tenta seduzi-lo.

Mas isso passou depois dos 30 e três anos e não volta. A brincadeira agora é outra e quem não achar a moça divertida que mude de companhia

Ela lembrou que eles todos tomam café sem açucar. Todos, absolutamente todos os ex amados babys.Teve vontade de ligar para um deles. Mas porque procurar o amor que acabou só pra ter algum amor e inventar e sofrer mais? Não, minha filha, você não tem nenhum amor. Cala a boca. Tome um copo de água e enxugue esse choro.

Porque por mais que tente, ela não consegue mais se enganar e fazer a dança dos pretezinhos.   

Sobrou ela e o Morrissey nesse domingo. E uma gata preta e branca que olha pra fora tão triste quanto a dona. E um texto completamente fora de forma.

ps. sim, ela está com tpm

pps.sim, ela sabe que vai passar.    

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 12h14