Enquanto isso, no mundo encantado dos silogismos...

É um porão sujo e úmido, seus pés e mãos amarrados. Comida, uma vez por dia. Não há luz, por sorte, senão veria as larvas passeando pelo prato. O café é péssimo, uma água preta suja. Mas você bebe, por causa do vício. Isso faz aumentar a sua insônia, a ansiedade e os ataques de pânico. Uma escada leva ao andar de cima onde um cão de quatro olhos que responde pelo nome de “meu bem” faz a guarda. Na sua última tentativa de fuga, ele mordeu sua barriga, que agora tem um buraco cheio de pus e sangue. Não existem médicos, nem remédios. Talvez, logo, você morra de infecção. Passando pelo cão, 80 homens armados recrutados no Complexo do Alemão jogam cartas e te esperam com fuzis, peixeiras, granadas, punhos de aço e tatuagens rabiscadas na prisão. Eles também não gostam muito de você. De vez em quando descem e te enfiam a porrada. Te chamam de boneca, coisa linda e o resto, você já sabe. O grande portão de ferro está trancado com cem cadeados. O centésimo só é aberto com uma senha alfa-numérica de 33 posições. O vigia, único que sabia da combinação, foi devorado pelo cão por engano. Do outro lado do portão, o deserto. São cinco dias e cinco noites de caminhada numa temperatura que faz até o diabo querer ventarola. Para sobreviver, só contando com a sorte. E com a compaixão dos urubus.

É por isso, amor, que você não me liga.
Só por isso.