Homens de preto

Ponte aerea das 18 horas. Estou cercada por homens de preto. Procuro uma alma amiga com olhar desesperado e uma menina de jeans sentada em cima da mochila sorri para mim. Somos praticamente as unicas pessoas que nao usam terno em toda a sala de embarque. Os homens de preto olham para a frente com umas caras que parecem dizer: "trabalho muito, sou muito ocupado, tenho jobs". Sim, homens de preto desprezam o portugues e preferem termos novaiorquinos. "Neoliberais de merda", eu penso. E lembro que ja quase namorei um homem de preto.

Os homens atras de mim (vestidos de preto) falam sobre um metodo incrivel de mershandising que usa TV de plasma digital. " Somos fodoes, somos homens de preto, trabalhamos muito, vivemos na ponte aerea". Imagino o pensamento deles todos. Neoliberais de merda!

Muitos sao mais novos que eu. E descubro uma sub-categoria dos homens de preto. Sao os que usam mochilas estilo alpinista (sociais?) e andam pela pista do Santos Dumont como se estivessem no SoHo. Tenho vontade de gritar: " ei, eu tambem trabalho! Tambem vivo na ponte-aerea e nao gosto disso!".

Olho para mim: tenis vans, bermuda jeans, camiseta, moleton de caveira e uma mochila Adidas anos 90 nas costas. Tenho a aparencia de uma hippie-punk-pedinte-maluca se comparada aos homens de preto. Quero gritar: " eu me visto assim mas eu tambem trabalho muito!".

Mas deixo para la os homens de preto e resolvo escrever uma cronica estupida. Um dia a gente acorda e descobre que virou hippie.

ps. sim, os acentos do computador sumiram momentaneamente mas decidi blogar assim mesmo.

(Nina Lemos)