O disco que todo mundo tinha...

Lá pelo fim dos anos 90, existia um disco ótimo. Muito bom mesmo. Uma obra prima. Era fácil encontrar “A Sétima Efervecência”, trabalho independente do gaúcho Júpiter
Maçã, na casa de todo mundo. Qualquer amigo tinha o disquinho. E lá se foram noites e noites ouvindo músicas lindas, como Essência Interior, “quando você der para outro cara, lembre-se que alguém se masturba, alguém em outro lado da cidade, se sente em sintonia e pensa em você”. E clássicos que nos faziam quase chorar, como Miss Lexotan 6 mg. “Ela tem andado meio frígida, tem se preocupado com as coisas do coração, ela teme intensamente que jamais conheça um carinha que vá comê-la estando apaixonado”. Sex and The City é o caralho! Linda mesmo era a Miss Lexotan 6 mg, garota.
Nesses quase dez anos, mudamos de casa. E os discos do Júpiter sumiram. Ainda lembramos dele vez ou outra, quando, por exemplo, vamos encontrar algum ex namorado. “Eu e minha ex, no botequim, falando sobre nossas vidas”. Ou quando vamos ao show do Wander e ele toca Lugar do Caralho, com a letra levemente alterada, com uma homenagem ao autor. “Eu quero achar alguém pra mim, um alguém tipo assim: que goste de beber e falar, LSD queira tomar e curta, Júpiter Maçã e a Graforréia”. Nessa hora, olhamos em volta procurando pessoas que cantem isso com empolgação, pois isso significa que é um igual, alguém que também tinha o disquinho, que também ouvia “mas quando eu te visito pra tomar um chá, e a gente começa a falar, tudo fica claro na minha mente e a gente começa a trepar”.
O disco era tão importante que por causa dele ganhei o melhor presente de amor da minha vida: um antigripal chamado Superhist. Isso foi realmente lindo. Tudo porque uma música chama Querida Superhist. E a letra diz: “ei, querida, gosto muito de você, de olhar gravuras, e de conversar com você, ei, querida, você é demaiiiiiiiiiis, ei, você, querida superhist”.
Tinha quase esquecido disso tudo. Até que um dia tomo café com meu amigo ex enteado eterno Fernando, de 13 anos e ele comenta. “Porque eu tava ouvindo Jupiter Maçã...” Como assim, será que ele roubou o disco que ficou na casa do pai dele na separação?
Não, Fernando sabe onde o disco está na REDE. E, como eu não consigo usar o rapidshare (o que faz o menino rir muito de mim), me manda música por música via MSN.
Choro compulsivamente ouvindo Querida Superhist e passo dias ouvindo o disquinho que todo mundo tinha, só que agora no i pod. E a minha vida fica um pouco melhor.. Valeu, Fernando!!! (Por Nina Lemos)
Um doce contra o outro
Abri a geladeira e vi que as bananas estavam indo dessa para melhor. E resolvi fazer uma sobremesa. Isso porque fui criada sobre o terror do desperdício e deixar comida no prato é maldade. Mesmo que sejam bananas pretas na geladeira.
Pois lá em Minas tem uma sobremesa ótima que se chama “mineiro com botas”, com banana e queijo derretido no forno. Se existe uma verdade na vida é: qualquer coisa com queijo divertido fica melhor. Qualquer coisa mesmo.
Quando ele chegou e me viu na cozinha com minhas amigas, cinco bananas pretas, perguntou o que eu estava fazendo. “Mineiro com botas!”, disse eu, me sentindo praticamente a Sebastiana Quebra Galho, a mais prendada das criaturas.
Expliquei a sobremesa achando que ia abafar.
- Mas isso é Cartola
- Não, é Mineiro com Botas.
- É Cartola!
- Quem disse!?
Ficamos brigando para ver quem era o dono da sobremesa regional. E quando eu já ia colocar no forno, ele falou:
-Tá fazendo o que, louca?!
- Ué, colocando para assar!
- Ih, mas, Cartola é frito!
Bem, se existe uma outra verdade na vida: qualquer coisa frita fica melhor. Um exemplo clássico: bobó de camarão feito pelo melhor dos cozinheiros num lugar incrível com um homem incrível falando que você é tudo contra camarão frito no óleo de três meses numa praia bizarra, você sozinha, achando que está gorda. Camarão frito, mil vezes!
Percebi que estavas prestes a perder a competição da sobremesa regional.
- Estou frita! – pensei.
(E fiquei melhor!)