UOL Estilo UOL Estilo






Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese

Neste blog Na Web

 Visitas  
 
Caminhando e cantando

            O bicho está pegando no campus da USP. Estudantes ocuparam a reitoria numa manifestação que entre outras coisas, queria a anulação de um decreto do governador José Serra, que cria a Secretaria de Ensino Superior, a qual a USP ficaria subordinada.

            O que mais chamou a atenção, não foram as reivindicações dos estudantes. Até porque, nem os reitores das universidades estavam de acordo com elas. O que mais espantou foi a nova cara do movimento estudantil.

            Eles são super organizados. Na ocupação não entra bebida alcóolica e drogas. Cigarro, só em lugar aberto. Nas refeições, rola suco de caju. E eles ouvem hinos do movimento estudantil da época da ditadura, como “Pra não dizer que não falei de flores”, do Geraldo Vandré. E um dos estudantes ocupacionistas ficou encarregado de cuidar do jardim da reitoria, pras flores não murcharem.

            Nós nunca participamos de movimentos estudantil. Somos filhos meio traumatizados da ditadura. Uma de nós teve que apertar a mão do presidente Figueiredo quando ele visitou a escola dela, no começo dos anos 80.

            Mas esse novo movimento estudantil está muito coxinha. Nada contra o suco de caju e tudo contra o “Caminhando e cantando”, mas parece que os estudantes não sabem muito bem o que estão reivindicando. E que estão adorando “brincar” de invasão da reitoria. Numa matéria da Folha, um deles contou à repórter: "A gente não sabe muito o que é ser rebelde. Só sabe que é contra o decreto do Serra. O resto, estamos aprendendo".

            Legal tentar aprender. Mas talvez valesse à pena se mobilizar por algo que você realmente acredite. E com uma trilha sonora decente, por favor.

 

:: Escrito por raq affonso às 22h14
Água preta do cabelo do Formigão
Eu sou mulher caixa preta, aquela que vai para a esbórnia de cara limpa e que volta mais sóbria ainda. Eu lembro do que você fez no verão passado, me lembro das promessas que os bêbados sussurram e de tudo que é feito pelos botequins, até mesmo aquelas coisas quer todo mundo gostaria de esquecer. E eu também.

Eu me lembro das farras, dos absurdos e das declarações de amor. Até mesmo das erradas. Dos choros comovidos, eu me lembro. E das pomba-giras que desfilam em frente a minha timidez. Eu me lembro de todas as dores.

Enquanto o mundo se esquece da vida entre uma cachaça e outra.

Quando todos riem e acham graça de coisa que não tem graça alguma, às vezes eu também rio. Pego no tranco, engato a segunda na ladeira e acho a vida engraçada. Em outras eu quero chorar. Eu não acredito em saideiras.
A vida de quem não bebe é assim: um fígado intacto, mas tem que ter estômago.

Por inonia, eu não sou a minha própria caixa preta. E sou encontrada por mim mesma em situação desconcertante e triste, olhando para o teto do hall do elevador. Eu sou a caixa-preta do mundo.
:: Escrito por Jô Hallack às 22h07

O Homem La Tartine

La Tartine é um famoso bistrô simpático de São Paulo. E Homem La Tartine, ou Homem Bistrô, é uma catalogação coletiva com o amigo Xico Sá, companheiro de abraço, ombro e fofoca diária via MSN. Há tempos discutimos o assunto. Sim, existe uma sub-espécie masculina bem de baixo do nosso nariz, ou bem ali no bistrô da esquina e ainda nem tínhamos reparado.

Trata-se do cara que usa o truque “jantarzinho em bistrozinho gostoso” para comer a menina. Ele convida. Faz um milhão de galanteios. Diz algo parecido com finalmente conheci a mulher da minha vida. Paga a conta. Te come. E some. Ou come algumas vezes mais, sempre repetindo que você é a mulher da vida dele e levando antes no tal bistrozinho..

Nada contra pagar  a conta do jantar (pelo contrário).

Nada contra só querer comer a moça (muito pelo contrário).

Mas tudo contra precisar de jantarzinho em bistrozinho para conseguir tal feito. Coisa de homem fraco. Mas o pior é que o jantarzinho sempre vem com esse discurso de mesa com quiche e vinho: as declarações de amor falsas, as promessas que a gente não pediu. Coisa de bobo. E também de gente cafajeste de quinta.

Quem foi que disse para eles que a gente precisa de promessa romântica para dar? Não precisamos. Quem foi que disse para eles que a gente gosta tanto de quiche? Não, já enjoamos. E agora que o inverno chegou é a hora deles atacarem. “Vamos tomar uma sopinha?” E depois... ele diz que não era bem aquilo que queria dizer quando, entre uma colherada e outra, se derretia em promessas que você não pediu.

Sai pra lá, homem-bistrô!

Ainda preferimos os amigos punks adeptos dos três acordes e do faça você mesmo, que não precisam de jantarzinho nenhum. Só de boa pegada. E beijo.

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 18h14

A idade chegou

Fim de semana sem o bebê. Vários planos, baladas e eventos. Um festival de vídeos, um ex-integrantes dos Smiths dando som numa balada, um jantar, uns drinques na casa de uma amiga. Fora todas as outras coisas que você tem que fazer, tipo ir ao super, trabalhar, fazer bicicleta, passar no salão...

Mas no sábado chuvoso, você acorda com enxaqueca. E no almoço já está capotando, por causa do remédio. Dorme três horas seguidas e acorda já à noite. Liga pra amiga:

- E aí, você vai lá ver o Andy Rourke tocar?

- To gripada, agora sempre que saio na balada fico gripada.

- É a idade. Eu tê com enxaqueca e começando uma gripe. Não vou.

Você resolve ficar em casa e fazer um jantar. Quando vai abrir o vinagre dá um jeito nas costas!!! Sim, você fica com um torcicolo tentando abrir um vidro de vinagre!

E passa o resto do fim de semana bebendo chá, com o nariz escorrendo, uma puta dor no pescoço, que está enrolado num cachecol. A idade chegou.

 

:: Escrito por raq affonso às 21h38