Quando eu era pequena, fiquei doente no dia da festa junina da escola. Dei um escândalo. Para me consolar, minhas tias e primias trouxeram doces da festa e até um brinde da brincadeira do coelhinho (será que as sociedades protetoras dos animais ainda deixam que um coelho fique correndo feito louco procurando uma casinha enquanto crianças gritam?).
Mas o brinde que não foi ganho por mim (eu nem tinha visto o coelho entrar na casinha) não teve a mesma graça. Milhares de anos depois, fico doente no dia de uma festa e de um show. Os amigos ligam de madrugada para contar como está. Igual a minhas primas e tias. Contam quem tava, que música tocou e o resto. Se tivesse uma brincadeira do coelho por lá, aposto que pegariam um brinde pra mim.
É chato ficar doente quando tem festa. Mas é muito bom ter tias, primas, amigos. E é bom, mesmo em casa na base da aspirina, saber que tem festa. Ou será que era melhor imaginar que o mundo todo padece com um livro na mão? Ainda não sei.
(Nina Lemos)
Indústria de celebridades do demo
Vamos lá. Continuando com o assunto. Todo mundo sabe que indústria as celebridades é um horror, que vivemos a era do vazio, a cultura do espetáculo etc etc etc. Mas isso DÓI. Em uma semana:
1- Uma atriz muito famosa se recusou a me dar uma entrevista porque não gostou de uma outra que eu fiz com ela. A assessora de imprensa fez o comunicado sutilmente. Ver que essas pessoas têm algum poder (ou acham que têm) sobre mim me fez chorar (de raiva do mundo e de tristeza).
2- Esperei por uma reunião e na sala de espera vi uma revista onde a Ana Maria Braga viajava de jabá com o marido na business class.
3- Vi uns bolinhos de fotógrafos com pessoas praticamente pisoteadas no meio, até que algum amigo meu dizia: "não liga, é só a Danielle Winitis" (não sei como escreve o nome dela e também não vou checar).
4- Na entrada de um desfile muito ruim da SPFW um menino me interpelou, como se fosse caso de vida ou morte: "eu preciso muuuito entrar nesse desfile". Não, ninguém precisa muito entrar em um defile de moda (a não ser que seja o estilista ou o namorado dele ou alguém que é escravo da moda, literalmente, no momento).
5- Eu até achava engraçado ler essas revistas de celebridades, juro. Mas agora vou largar essa droga. Não vou mais ajudar a alimentar uma indústria patética onde todas as pessoas são loiras e tem o mesmo botox na boca. E contam seus segredos mais íntimos para dar um jeito de lucrar com isso. Tô fuera.
E como diz a canção de um amigo meu: "Não vou ser página da Caras e isso é MUITO BOM."
(Por Nina Lemos)