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A arte de cair fora

Tem vezes em que a gente precisa cair fora."A Retirada", aquele hexagrama do I-Ching. “Quando não resta nada onde deva ir, ele volta”. Nada como cair fora civilizadamente, educadamente, do jeito mais ok que a situação permite.

Cair fora assim é quase um milagre. Mas tem vezes em que a gente precisa cair fora, não adianta. E os amigos dão parabéns: hey, chica, você fez a coisa certa. Jarvis cantando “don’t let him waste your time. Go, go, go!”

Tem vezes em que a gente precisa cair fora. Até da própria casa. Até da própria cidade. Até da própria vida. A saída é o aeroporto. E tem vezes em que a gente precisa tanto cair fora que enfrenta o caos aéreo estoicamente ouvindo Smiths no fone de ouvido. A gente precisa cair fora. E passar uma hora e meia sentada no meio de dois homens de preto só para mudar de ares, porque não basta cair fora da situação por telefone, já disse, é preciso sair um pouco da própria vida também.

Aí, quando você vê, está estoicamente viva, sobrevivente de uma confusão bem grande, firme, digna. E carente. E entediada.

Ter que cair fora é uma merda.

 (Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 22h27

A trilha do infortúnio

Você tem uma idéia ótima: comprar um DVD do desenho preferido do seu filho. Ele adora DVDs e quando esse desenho passa, ele canta e dança. A pura fofura. Então, você vai na hora do almoço comprar o tal DVD. Como é baratinho, você compra logo toda a coleção, com 5 discos.

Na volta pra casa, no elevador, uma senhora opina: "Não dá tudo de uma vez não, eles nem lembram". Você resolve só dar dois. Ele fica animadíssimo. E dá-lhe play. Um episódio atrás do outro, sem comercial. Quando você ensaia dar um stop, é o puro berreiro.

E você deixa. Fica lá, ouvindo a linda música: "Com a cabeça e o coração, eles são pequenos e poderooooooosos...".

Ele dorme abraçado com a capa do DVD. Você acha fofo.

Até que na manhã seguinte, lá vamos nós novamente, para mais uma sessão de Save-Ums. E mais musiquinha. De 15 em 15 minutos.

E a noite também. E você não aguenta mais!!! Parece uma trilha sonora do puro infortúnio. Já começa a se arrepender de ter comprado vários DVDs.

Ainda bem que você não deu todos de uma vez. Pode presentear outras crianças na época do aniversário.

:: Escrito por raq affonso às 20h32
Um basta ao "eu acho que tenho que te contar que..."

"Acho que eu tenho que te contar uma coisa". "Acho que é meu dever de amiga te falar que...". Pronto, lá vem porrada. Não falo aqui das minhas AMIGAS QUERIDAS, claro, mulheres superiores que já aprenderam que a vida de cada um é de cada um. Mas, em geral, quando uma menina vem com essa frase significa que em cinco segundos ela vai tentar te foder! Claro, sempre dotada de ótimas intenções e querendo o seu bem. Mas vai te contar que seu namorado te traiu em uma noite que estava bêbado, que o cara pra quem você dá comeu uma outra etc etc etc. A pergunta que não quer calar é: se você não perguntou, quem foi que disse que você queria saber?

Que arrogância feminina é essa que faz com que elas achem que podem saber o que       rola entre duas ou três pessoas que têm histórias onde elas não estão incluídas? Gente do céu! Vamos lá. Aula de Freud número 1. Ou aula de noção. A gente não sabe o que acontece com os outros nunca. Vocês não perceberam isso ainda? A gente não sabe nem o que se passa com a gente. Como vai saber o que acontece com uma pessoa? E com duas? E com três? Não, não sabemos. Não sabemos e não temos nada a ver com isso.

 

Não, eu não conto para as minhas amigas coisas que elas não perguntaram. Nunca. Já devo ter feito isso alguma vez. Mas aprendi. Isso porque eu não sei o que elas vivem, por ais que elas me contem. E, principalmente, porque eu NÃO QUERO QUE AS MINHAS AMIGAS SOFRAM! Em geral, para que servem essas informações passadas levianamente? Pra causar sofrimento, sim, é pra isso mesmo.Inclusive, querida, porque você não pode saber o que uma coisa que "você acha que precisa contar" vai causar nos outros. E, claro, como você conta uma coisa que "acha" que deve contar? Ora, só conte depois de ter total certeza, falar na análise, jogar I Ching, consultar um pai de santo.

 

A solução é uma. Fazer como os amigos homens. Não contar mais nada pra ninguém. Acabou. Esse texto é um basta a qualquer tipo de fofoca. Não, por favor, eu imploro. Não me respondam o que eu nem perguntei! (Por Nina Lemos)

 

:: Escrito por 02 Neurônio às 20h51