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A arte do bom e-mail

Nada como o prazer de escrever um bom e-mail. Há quem sinta saudades das cartas. Eu não sinto. Amo os e-mails. Poder escrever e mandar é uma das maiores maravilhas da internet. Qualquer coisa chata pode se transformar em coisa legal se você pode escrever um bom e-mail. Tipo aquele papo, pegue um limão e faça uma limonada.

Ontem eu levei um bolo. Sentei, fiz um café. Escrevi um belo e-mail. E ficou tudo bem. Na verdade, foi ótimo. Foi quase melhor que não ter levado o bolo.

Claro, esse é um vício de pessoas que escrevem. E o que acontece com quem  recebe nossas obras primas? Não sei. E nem importa tanto. Não é exatamente para agradá-las que a gente escreve. A gente escreve porque ama escrever. Simples assim.

E tem também o prazer de mostrar o belo e-mail para um amigo querido que também ama escrever e-mails. “Esse é um e-mail de autor!”, grita o meu amigo pelo messanger. “Tem literatura, tem jornalismo, tem edição, e é de autor”, ele comemora depois de receber uma cópia de um e-mail mandado cinco minutos antes.

Calma. Eu tenho ética. O amigo que leu o e-mail é meu confidente e meu irmão. E um mail como aquele, tão bem escrito, precisava ser compartilhado com mais alguém além do destinatário!

Lembro de uma amiga que uma vez escreveu um mail de ódio para um pretê, daqueles para escrever e não mandar. E era tão bom, mas tão bom que ela ficou louca de vontade de publicar.

E-mail é tipo uma arte, amigos. É de verdade, é escrito no calor da hora e é catártico. E faz um bem danado para quem os escreve. Ainda tem a parte deliciosa de pensar no título, todos esses detalhes.

Você pode me dar bolos. Você pode me confundir .Eu te mandarei um e-mail depois. E sentirei um prazer louco com isso. Ai, que delícia.

PS. Claro que os idiotas não merecem a nossa boa literatura. Mais indicado mandar bons e-mails para bons rapazes.

 (Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 12h00
Da série “Anedotas reais”

- Sabe qual é o problema? Você só vê as cosias pelo seu ponto de vista
- Claro. Se fosse para ver do ponto de vista de outra pessoa eu ia ser essa outra pessoa
- Não! Você devia me compreender, se colocar no meu lugar
- E, por acaso, você se coloca no meu?
- Claro!
- Ah é? E quando você está se colocando no meu lugar, o que é que você vê?
- Vejo um homem lindo. Menina, você devia dar graças a deus dele estar com você!
:: Escrito por Jô Hallack às 12h30
Conselho de mãe
Mãe gosta mesmo é de dar conselho. Filha, não pega friagem. Não acorda tão tarde. Não falta ao serviço. Filha, cuida de sua saúde, coma seus legumes, volta para a ginástica. Filha, visita sua avó, volta no dentista, faz economia. Filha, trata bem esse seu namorado, faz as pazes com a irmã, liga para agradecer. Mãe gosta mesmo é de dar conselho.
E toda a humanidade responde em coro:
- Tá mãe!!!!

Até que um dia você flagra sua mãe usando uma blusa de lã sem a camiseta por baixo. E o que é que tem demais? Nada, não tem nada demais. Só que este é um dos conselhos mais adorados da mamãe. Pelo menos da minha. Filha, não usa blusa de lã sem camiseta por baixo. Quantas vezes eu devo ter ouvido isso. Quantas? E lá está ela, lépida e fagueira, com sua blusa de lã sem camiseta por baixo.
- É que eu sai correndo – ela diz.
- Sei....
- Mas não devia ter feito...
- Sei....

Por um minuto eu viro mãe da minha mãe. Ela sorri sem graça sabendo que foi pega no erro.

No dia seguinte, andando pelo bairro e falando no celular com a mãe, sou seduzida pelo gatinho de rua mais fofo do mundo, que se joga aos meus pés querendo um cafuné. E cafuné não se nega.
- Filha, que isso! Vai ficar passando a mão em gato vira-lata de rua!

E eu nem dou bola. Vou lá seguir conselho de quem usa blusa de lã sem camiseta por baixo!
:: Escrito por Jô Hallack às 11h10
A dor e a delícia de não contar mais tudo para todo mundo

Um dia  todo o esforço da sua analista e os conselhos da sua mãe surtem efeito. E você decide que não vai mais sair por aí contando as coisas da sua vida na Internet, no MSN, na rua, no salão de beleza, na chuva, no carro de reportagem, na reunião de pauta. Finalmente você virou uma pessoa sábia.

E descobre que não tem mais sobre o que escrever no seu blog (o que causa uma crise criativa grave). E, pior, parece que as coisas vão simplesmente explodir dentro de você, que começa a ter vontade de pegar o telefone e ligar para uma amiga que não vê faz tempo para contar justo aquilo que decidiu só contar para cinco pessoas. No máximo, seis.

Outras conseqüências do ato, além de ter o coração parecendo que vai explodir e falta de inspiração para escrever, é alugar DEMAIS duas amigas, no máximo, três. Essas são as que foram eleitas como pessoas para quem você pode contar tudo. Essas, coitadas, têm que te aturar mais do que o necessário.

Mas sua amiga te ama. E entende que é, sim, ótimo, ter conseguido falar só de trabalho na reunião de trabalho. Mas, sem contar nada para ninguém, me diz, como é que se consegue dormir?  

"Estamos com convulsão mental", diz a amiga pelo telefone. E, juro, uma boa confissão para um desconhecido no café da firma talvez tivesse diminuído a loucura.

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 22h26
Tomar um bom café-com-leite em casa e ficar de meia vagando pela sua casa, sozinha.
Quando você começa a adotar este tipo de comportamento, pode ter certeza. Você está ficando velha. E, atenção (ao dobrar a esquina!), não há nada de errado com isso. Afinal, a idade traz a sabedoria. Sabedoria é um negócio que faz você ficar sabido, sabendo um bando de coisa.
Você sabe, por exemplo, que ficar vagando de meia pela casa falando com as paredes pode ser melhor do que ficar vagando pela rua falando com as pessoas. Como a atividade de ermitão é condenada pelo nosso meio social, ficamos com culpa.
É então que surge a prece meteorológica milagrosa.
Uma prece que existe desde que o mundo é mundo, muito antes do aquecimento global.
Uma espécie de reza em que você roga ao deus da meteorologia para que caia uma
chuva daquelas. Lá de onde eu venho, um toró. E que a cidade alague, rios se formem e uma nevasca, uma neve, uma chuva granizo, paralize a vida.
Porque a culpa faz com que você sofra quando fica em em casa vagando ao invés de ir num show de indies e seus casaquinhos.

Mas o toró não vem.
E você acaba sua noite num evento de indies e seus casaquinhos. Aos ouvir os primeiros acordes clichês de mais uma banda incrível que é o novo berro da modernidade, você pensa: café-com-leite.

Mas um dia o deus da meteorologia te ouve. E você pode dispensar vários eventos. Festas de mash-up, de funk e exposições. E pessoas.
Chove canivetes e meu cobertor é testemunha de que não existe a menor possibilidade de sair.
Que chova, então, até o final dos tempos.

Sem esse negócio de arca para escapar. Amém.

:: Escrito por Jô Hallack às 20h27