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Pele de vaca

Eu estava bem feliz com a minha bolsa nova, comprada por uma pechincha. Até que minha amiga Eva disse: “é linda, mas eu não uso couro.”

Fiquei sem palavras. Eu tinha esquecido que a bolsa era de couro! E isso porque a vendedora disse: “é legal esse couro cru, né?”

Sim, eu, vegetariana desde os 17 anos, tinha comprado uma bolsa de couro.

E a Eva piorou tudo. “Eu não consigo usar casaco de couro porque  parece que tem uma pele de vaca me abraçando.”

Tá, a Eva está coberta de razão. Eu não como carne desde os 17 anos, repito. Desde que ouvi o Morrissey cantar Meat is Murder. E que a morte dos animais era sem razão, e morte sem razão era assassinato. Eu acredito nisso até hoje!

Mas aí lembrei que tinha comprado a bolsa de pele de vaca crua justamente para substituir outra, de pede de vaca marrom!

Eu sou uma perua incoerente. Pronto. E Morrissey, lá de London, deve ter visto tudo e me jogado uma praga. O fecho da bolsa nova estragou no primeiro dia em que eu a usei. Sim, mas eu vou na loja trocar. E a vegetariana há quase 20 anos desfilará por aí com mais uma pele de vaca pendurada nos ombros...

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 12h26

A Dor

Domingo passado eu estava cheia de problemas. Aqueles de sempre. Crise existencial, crise criativa. Eu achava que precisava de um bom amor, tinha que escrever um romance e arrumar várias coisas na minha vida. Até que ela veio. A Dor. Assim, no meio do almoço-jantar de domingo.

Era para passar. Mas não passou. Fui tomada por Ela, a terrível dor nas costas. E todos os meus problemas desapareceram. De repente, só existia um: me curar daquilo e, claro, descobrir o que aquilo era.

Uma crise de dor nas costas é uma espécie de Caminho de Santiago da Compostela. Você não pensa em mais nada. Só em sobreviver e nela, A Dor. Só que a peregrinação não foi feita por caminhos bonitos da Espanha, mas por Pronto Socorro, Pronto Socorro de novo, só que ortopédico, fisioterapia e, milagre, acupuntura.

Uma semana só pensando NA DOR. Uma semana onde o mais importante era a minha bolsa de água quente em formato de coração. Até que depois da acupuntura e das bombas ela começou a ser controlada.

E agora, que consigo ficar sentada, sinto que os problemas do domingo passado estão se apoderando de novo da minha alma. Todos aquelas pequenos problemas ridículos.

Por que que a gente é assim?

(Por Nina Lemos)

 

:: Escrito por 02 Neurônio às 16h51