UOL Estilo UOL Estilo






Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese

Neste blog Na Web

 Visitas  
 
Pilates

Vc demora séculos pra decidir qual esporte fazer. E dois dias antes do carnaval resolve que vai fazer pilates. Sim, um esporte caro, mas que pelo menos tem ar-condicionado na sala.

E lá estava você, com duas peruas tentando fazer movimentos que nunca pensou. Inclusive usando aparelhos que mais parecem máquinas de tortura. Ou um outro que parece você vai cair de cara no chão. Você se lembra de uma aula de dança do ventre que fez no passado e em dado momento - de tão ruim que sua performance foi - a professora pediu pra você sentar num cantinho. Mas você resiste firme e forte até o fim da aula.

E na sexta de carnaval, você acorda sentindo músculos que não saia que existia! Uma coisa que você pensava que era uma costela, mas na verdade é um músculo dolorido.

Ainda bem que você não vai pular o carnaval. E está se sentindo meio com o corpo da Madonna. Pelo menos você sabe a dor que ela sente depois da aula.

 

:: Escrito por raq affonso às 19h05
Otimismo

Ele tinha entrado naquele pé-sujo só pra comprar um cigarro a varejo. E agora, a situação era a seguinte. Lá estava o sujeito com uma faca atravessada na cabeça. Nem era com ele, foi uma briga de bar, brigavam por causa do resultado de um campeonato de futebol.
O médico lhe deu algumas horas de vida. A operação para remoção da faca era morte certa. Do outro jeito, também. Melhor deixar assim, sugeriu o cirurgião. Restariam – ao menos - momentos finais de consciência (se é que é bom estar consciente numa situação dessas). Para se despedir dos amigos. Ligar para a ex-mulher. Ou então, fumar o cigarro.
É aí que chega o falso otimista.
-    Calma, tudo vai dar certo
-    Como assim? Morro de hemorragia interna no cérebro
-    Bola pra frente, vamos lá. Vai dar certo. Força.
-    Digo e repito: morro de hemorragia interna no cérebro.
-    Você vai ficar bem.
O falso otimista é aquele sujeito com uma aversão profunda à realidade. E, às vezes, a realidade é uma merda. Precisamos reconhecer quando estamos na merda.  O falso otimista acredita no mito da superioridade diante dos fatos.
O moribundo não pensou duas vezes. E matou o outro com dois tiros. Depois, como previsto, morreu.
Foram enterrados lado a lado.

No cortejo, um samba.
“Levanta, sacode a poeira é dá volta por cima...”

:: Escrito por Jô Hallack às 20h03
A ignorância

“A vida sabe o que faz”. Toda vez que eu ouço essa frase me dá, como diz um amigo de Minas, um siricutico. Porque, convenhamos, vamos ter um mínimo de sinceridade por aqui. A vida sabe de que, meus amigos? De nada. A vida é uma ignorância que só vendo. A vida não sabe e, pior, é burra que nem uma porta. A vida não aprende.

Nem mesmo Freud em último grau dá jeito. Nem com os melhores professores.  Nem mesmo com estas terapias cognitivas de quinta categoria  que prometem consertar sua alma em tempo relâmpago. Nem mesmo um Mobral bem feito. Nem mesmo a vida com todas as honras ao mérito que distribuem os colégios jesuítas.  Nada, absolutamente nada, dá jeito.

A vida sabe o que faz? E se sabe, porque insiste em fazer tudo errado?
Não, minha gente, a vida não sabe de nada. A vida acabará como começou: na ignorância profunda.

Baixam o caixão. E o freqüentador de enterro assopra, lá do fundo.
-    A vida sabe o que faz.

Sabe o que, criatura?!

:: Escrito por Jô Hallack às 00h44
Considerações sobre o fim do mundo

Ninguém precisa se apavorar com o aquecimento global. Venho, por uma série de artigos inúteis, provar que o mundo já acabou. Mas esqueceram de nos avisar. O que faz com que nós, em nossa ignorância, tentemos impedir o inevitável e salvar o planeta usando  sacolas ecológicas.

Prova 1
Antigamente  - é um sinal de idade avançada começar a tratar o passado como antigamente, mas não temo – as livrarias tinham vendedores que gostavam de livros. E, por isso, deixavam os clientes roubá-los.
Hoje, elas não são mais livrarias, são complexos multi-culturais onde se pode fazer quase tudo, tomar café, ginástica localizada, assistir palestra e encomendar despacho. Tudo, menos o óbvio ululante: ler. Os vendedores não gostam de livros, só de livros que todo mundo está lendo.  E não entendem como alguém pode entrar no estabelecimento e, simplesmente, abrir um livro e começar a ler! Disparate! Pois livros são objetos para se comprar para o aniversário daquele seu primo ou do colega da repartição.  Ao ver que você está em atitude suspeita – lendo - os vendedores têm certeza que você vai roubar. E, fingindo que apenas circulam pelo ambiente, começam a te vigiar com o rabo do olho.

Prova 2
Antigamente, uma das grandes emoções de se ir ao cinema era descobrir qual seria o nosso lugar. Uma emoção maior que a fuga do Hans Solo da Estrela da Morte. Será que vai ter lugar na frente? E junto? Por favor, tem alguém neste lugar? A gente se sentava, depois trocava de lugar pois tinha achado muito perto ou longe demais da tela. Aí comandava uma operação complicadíssima mobilizando toda a fila para que você e seu amor sentassem juntos.  Comia uma pipoca meio-doce e meio sal, as luzes se apagavam e aquele filme mudava a sua vida.
Hoje, você tem que escolher onde vai sentar antes, ainda quando compra o ingresso. Os lugares são marcados. Acabou o suspense, acabou aquele Janela Indiscreta antes de entrar na sala. Sem falar na tensão, pois a bilheteira te apresenta um mapa de lugares e é de sua responsabilidade escolher. Como você não é arquiteto e tem inabilidade em perceber o espaço em plantas baixas, escolhe o pior lugar. E passa o filme inteiro se auto-flagelando. O casal, que antes ficava roçando mãos, hoje em dia passa o filme tendo uma DR sobre quem foi responsável pela escolha mal-feita. E a pipoca? Agora, as pipocas são combos gigantes que duram o filme inteiro, sem essa delicadeza da meio-a-meio. Sem a doçura da vida. A sala fica impregnada por um cheiro de manteiga durante o filme inteiro.  Ah, vamos falar do filme? Porque tem isso também. Estamos num mundo cujo assunto é um filme com o Tom Cruise de tapa-olho. 

Prova 3
Ninguém leva mais um grande amor a sério.

Dito isso, o último que apagar a luz do mundo é mulher do padre.
Continua no próximo capítulo.

:: Escrito por Jô Hallack às 09h19
Prévia

Todo mundo tem sua quarta-feira de cinzas. Pode ser aos domingos, às segundas, até mesmo numa quarta-feira. Tem dia que é  todo dia. Pés sujos e só a lembrança de alguma alegria, que você nem se lembra quando foi. Não importam os confetes e serpentinas, há sempre uma quarta-feira de cinzas esperando por você.  É por isso que o samba é triste. Pois tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor. É no espelho que eu vejo a minha mágoa. A minha dor, e os meus olhos rasos d'água.

:: Escrito por Jô Hallack às 18h27
A arte de dominar a pistinha

Antes de tudo, é preciso ter amigos. Amigos bons. Do rock. Que gostem de bailar. E que não tenham a menor vergonha de pagar mico. Na pistinha você deve fazer (quase) tudo o que você quiser. Inclusive brincar de seduzir e ser seduzida pelo garoto mais bonito do baile. Quer dizer, por um dos garotos mais bonitos daquele baile. Porque os realmente mais lindos são seus amigos (que sorte!) ou não vieram essa noite para a pistinha. Mas um dos meninos mais bonitos do baile dando as mãos para você já é mais que o suficiente.

Para dominar a pistinha, você precisa não olhar para quem está em volta. Mas mesmo sem olhar, você sabe que muitos deles te invejam, porque você tem ganas, sabe dançar, está com os meninos e as meninas mais bonitos do baile  e a beleza dele não é óbvia. E, claro, para dominar a pistinha, você precisa pensar secretamente que é invejado, essa bobagem. Mas é que quem domina a pistinha está muito orgulhoso de si, o que é raro. Expilco. Quem domina a pistinha do rock numa noite qualquer de quinta não é uma dessas pessoas narcisistas que sempre se orgulha de si e se acha o máximo. Na verdade, isso é bem raro.

Tão raro que no dia seguinte correm telefonemas pela cidade. "Nossa, ontem a gente dominou a pistinha". "Pois é, e agora eu to deprimida aqui em casa sem conseguir me mexer." "É que você estava feliz demais ontem, guria. Esgotou a cota.'

É. Faz parte da arte de dominar a pistinha se recolher depois sentindo um vazio imenso, um cansaço. Quem mandou ser a rainha do baile?

(Por Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 18h08