UOL Estilo UOL Estilo






Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese

Neste blog Na Web

 Visitas  
 
Dia da Mulher? Conta outra!!!!!

Chega mais um dia da mulher. Nosso colega de serviço nos dará parabéns e talvez em uma reunião alguém lembre da data e, como uma piada, faça um menção. Dia da Mulher porque? Porque ainda vivemos em um mundo machista para caralho - e num país com um machismo que se inflitra no nosso dia a dia e em nossos corações? Machismo dói. Dá trabalho. Nos suga a energia. Machismo, é foda.

Acontece que a simples menção ao machismo é vintage. Não importa que você esteja se fudendo por causa disso. Dizer que algo é machista só traz sorrisos cínicos ou indiferença. Machista, eu? Logo eu? Mas eu sou tão tão moderno, tão roqueiro, tão maneiro, tão de esquerda, tão conectado com as novas tecnologias, tão literato, etc, etc, etc. O machismo, minha gente, virou café-com-leite.

Os homens, mesmo quando são opressores do alto do seu machismo, preferem não tocar neste assunto.  E a nós, cabe o que? Erguer a  cabeça, agradecer a patética rosa do dia da mulher - é, ainda ganhamos rosas meio murchas neste dia, rosas de "ações de marketing" do RH - e seguir.

O machismo está estampado na primeira página de todos os jornais. Todo mundo deve estar acompanhando  o caso do "Senhor Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou uma menina de nove anos estuprada pelo padrasto." Tudo bem, o padrasto errou. Mas aborto é demais! Quem essa menina pensa que é?
Não é só questão de  dogma. Acreditem. Porque aqui, não estamos falando só de religião.No Brasil, mulheres ainda não tem o direito de abortar legalmente . A não ser em casos de estupro.

E uma situação como esta expõe o machismo. Mas no dia a dia, ele não mostra a nossa cara. E ele dorme na nossa cama, queridas, acreditem.
Pois nós, do 02 Neurônio, nos excomungamos voluntariamente para comemorar o Dia da Mulher (O que? Quem excomunga é o arcebispo? ). Na verdade, se os padres soubessem da missa da nossa vida a metade, já estaríamos no inferno faz muito.

Que seja assim.
Preferimos acertar coisa com o capeta.

:: Escrito por Jô Hallack às 09h13
O dia em que o homem que arruma o computador quis marcar meu casamento

O homem que arruma o meu computador perguntou se eu vou casar. Respondi que não andava pensando nisso. Ele me perguntou se eu vou casar exatamente um dia depois do apartamento onde eu moro sozinha ter sido roubado.

Assim mesmo. Cheguei em casa do Carnaval, botei a chave na fechadura e vi que ela tinha sido arrombada. Tinha perdido dois computadores, um DVD, uma cafeteira e 100 euros. Nâo dormi em casa aquela noite. Sem vontade de conversar, recusei o convite dos amigos e fui para o hotel que fica na minha rua. Também não senti pena de mim. Acordei, chamei o chaveiro, fiz BO, conversei com a síndica do prédio, avisei meus vizinhos. E, 24 horas depois, já tinha comprado (sozinha) um computador novo (no cartão, sem computador eu não trabalho). Resolvi tudo sozinha e não chorei nenhuma vez.

Mas o homem que veio instalar o windows acha que eu eu preciso casar. E depois de dizer isso, caminha para a porta e me avisa, quase dando bronca: "nina, tem uma garrafa de coca cola aqui aberta, assim o gás vai escapar".

Pensei na hora na reposta que não dei. Não, homem que arruma o meu computador, se for para casar com alguém tipo você, eu não quero MESMO. Depois de fazer tudo isso sozinha e na boa levar bronca porque o gás vai escapar da Coca Cola? Melhor não. Melhor não.

(Nina Lemos)

:: Escrito por 02 Neurônio às 21h36
A Infelicidade mora ao lado

Um dia ela acordou e descobriu a solução para a sua vida. Tentaria, como num oposto, tentar ser infeliz. Amigos, faz sentido. O que procuramos a vida inteira? A felicidade. Mas a felicidade, essa ingrata, sempre nos despreza.  E não se pode viver no desprezo.

Sim, vez por outra ela até que nos dá alguma bola, sopra coisas no nosso ouvido, molha as nossa calcinhas, traz presentes, chega mais cedo em casa. Retribuímos, claro, nos sentimos finalmente existindo. Andamos pelas ruas sorrindo por nada. Tratamos a felicidade a pão de ló.  E ela? Ela logo enjoa. E nos trai.
Mas agora, tudo estava resolvido. Se casaria, para sempre, papel passado e tudo, com a Infelicidade. Sua vida se transformaria, a partir de então, num paradoxo, num paradoxo lindo. Ao contrário da outra – da ingrata, desclassificada, simplória -  a Infelicidade está sempre pronta para nós.  Ela nos paga bebidas, nos faz cafuné, dorme conosco e também faz companhia nas insônias e noites mal dormidas. Ela nos ajuda a emagrecer, ajuda no copydesk, ela é a nossa verdadeira amada amante.  Mesmo quando não ligamos para ela, tolos que somos, dando bola para a outra, ela espera. Espera, humilde e cheia de coragem, como são as esperas de amor. Ela sabe que sempre voltaremos para os seus braços.
Eis o paradoxo. Se dedicando à Infelicidade – servindo ovinhos mexidos pela manhã, lhe dando todo o afeto e se entregando das formas mais luxuriosas para ela -  seria assim, feliz, sendo infeliz.

E se tudo desse errado, porque tudo dá errado no final, ela seria infeliz na
sua trajetória. Sendo, então, feliz.

:: Escrito por Jô Hallack às 23h57