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A vida está – definitivamente – ficando menos intensa.

Há alguns anos, ir ao cinema era uma aventura. Você ficava com seu ingresso na mão, a porta se abria e todo mundo partia para cima das cadeiras correndo. Quem sentasse primeiro, era o dono do lugar. Isso colocava os indecisos em clara desvantagem. Enquanto ficavam pensando qual era o melhor lugar, todos ocupavam as cadeiras e eles tinham que sentar no gargarejo. 
Se o seu lugar era bom, você comemorava que nem gol da copa.
E para comprar bala? Era toda uma operação de guerra, de guardar o lugar com a bolsa e voltar segurando pipocas pequenas.


Vou no cinema hoje. Sentarei na cadeira 3B. Comerei um combo 3.

Sinto um pouco de saudades.

:: Escrito por Jô Hallack às 21h09
Trabalho: a gente também tem

 

A gente trabalha duro, corre atrás, se dá bem e se ferra. Sofremos até crise de processo criativo (mas achamnos isso tão clichê que evitamos adimitir esse tipo de coisa). E tamnão ficamos reclamando nem falando sobre isso por aí. Criança estuda. Adulto trabalha. E acabou. Sim, adoramos o que fazemos, na maioria das vezes. Normal. Assunto encerrado.

Não, nada disso. O assunto continua. Isso porque os homens (não falo aqui de todos, é claro, mas de muitos) acham que o trabalho deles é mais inportante. Às vezes parece que eles pensam que a gente nem trabalha. Pagamos as contas com algum dinheiro miraculoso que aparece no banco no fim do mês. Simples. Livros, por exemplo, saem publicados como que por milagre! Já eles, nossa, todos os dias parecem cuidar de missões tão importantes quanto o acordo com o Irã.

A doença é tão grave que atinge até homens que não trabalham, Sério! Eles pensam que a falta de trabalho deles é muuuuito mais importante que o nosso trabalhinho exaustivo, que no fim é o que vai pagar as contas da casa. Absurdo? Completamente. Se acontece? Ô.

Dá para tentar imaginar a vida de uma mulher que é presidente de um país. Ela passa o dia fechando acordos, evita uma guerra e, quando chega em casa, coitada! Seu marido é capaz de falar duas horas seguidas sobre seu trabalho como chefe de cozinha (nada contra os chefes de cozinha, pelo contrário).

_Nossa, foi super difícil fechar o acordo com os EUA!

_E eu? Que tive um dia horrível no restaurante, um cara teve o desplante de falar mal da minha comida e...

A mulher presidente, coitada, por força do hábito e para manter a união estável, ainda seria capaz de deixar a preocupação com o acordo dos EUA de lado e passar a falar sobre clientes chatos de restaurantes.

Sim. A gente agora tem até o direito de trabalhar. Eles deixam. Só que nunca faremos algo que eles julguem tão importante quanto o que eles fazem. E se você é homem e a carapuça serviu, não reclame. Esse é o meu trabalho. É, eu tenho alguns. (Nina Lemos).

 

:: Escrito por 02 Neurônio às 21h28
A arte de dar desculpas

Dar boas desculpas é uma arte para poucos.
Quem nunca, pelo menos uma vez na vida, ouviu alguém dar uma razão inusititada para faltar a um encontro (ao serviço, ao exército, ao casamento, ao plantão, ao natal com a família...) e teve admiração pela capacidade criativa  e pela dedicação ao criar um enredo fantasioso.

Não falamos de desculpas toscas e repetitivas, ou daqueles que nem dão desculpas ou explicações - a pior de todas: "sou mesmo um merda".
Falamos de obras-primas, que deixam a nossa revolta de lado para um momento (breve, brevíssimo) de respeito profundo.
Godard desistiu de ir ao festival de Cannes, deixou todos os jornalistas esperando na coletiva.
O motivo: problemas "do tipo grego".

 

 

:: Escrito por Jô Hallack às 11h14