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Sorte a sua!

Sorte a sua. Nada no mundo pode ser pior que essa frase:  “sorte a sua”.  O mesmo vale para seu genérico. O  “você tem sorte”. Não existe maneira melhor de uma pessoa colocar todas as suas conquistas buraco abaixo. Você não é corajosa, você não é batalhadora, nada disso. Você tem é sorte.
Sim, sorte. Sorte a minha ter passado por  um monte de coisa que eu não vou escrever aqui porque um lance que eu não curto é me fazer de coitada.  Mas realmente eu não conheço ninguém que tenha tido uma vida exatamente fácil. A minha nunca foi. E, no meio de uma conversa, ele foi e soltou essa: “sorte a sua”. Eu quis xingar, mas uma das minhas “sortes” é fazer análise há 20 anos (um trabalho duro, mano). E outra delas é ter amadurecido  o suficiente para saber que se eu xingasse, ele ia xingar de novo, e assim eu ia ficar chateada e perder o encontro com os amigos, porque outra “sorte” que eu tenho é ter amigos incríveis.
Não xinguei. Por isso escrevi esse texto, porque outra “sorte” que eu tenho é poder escrever.  “Sorte a sua”, ele me disse, quando eu me esforçava para consolá-lo e falar que a vida não era assim tão ruim, e que a gente não podia nunca virar uma pessoa amarga. “Sorte a sua”. Faz várias semanas e essa frase ainda não me desceu. Epa! Não ser amarga é sorte?
E os anos todos de análise, e a ida na yoga mesmo com preguiça (sim, até isso eu faço agora!). E o esforço para sair e encontrar os amigos mesmo depois de ouvir essa frase e conseguir voltar para casa bem? E o esforço para levantar cada dia que eu acordo angustiada e mesmo assim ir lá, tocar a vida, mudar o tom do dia? Sorte?
É só sorte? Eu tenho uma vida mais ou menos legal porque eu tenho sorte?  “É, eu tenho sorte”, respondi, irônica. E ele disse: “bom para você”. Realmente, é preciso ser uma pessoa de “sorte” para merecer uma conversa dessas. (nina lemos).

:: Escrito por 02 Neurônio às 21h56