Medo e pânico no cabeleireiro
“Que produto é esse que você está passando na minha cabeça?” “Formol.” Pronto. Vou morrer. Sou uma mulher sentada na poltrona do cabeleireiro morrendo de angústia. Mais que isso, sinto a presença da morte se aproximando. Parece que estou em um avião
Não me resta nada a fazer a não ser fechar os olhos e tentar não deixar que a angústia e o formol me sufoquem. Porque eu resolvi fazer escova progressiva num dia em que acordei angustiada? Simples, porque eu só ia cortar o cabelo, que estava realmente necessitado, mas aí a minha cabeleireira chegou e disse: “nada de cortar, o que eu posso fazer é uma escova progressiva!”
E eu não soube dizer não.
Mas, como tudo o que é ruim, existe a recompensa. Na hora em que o escovão acaba, e a chapinha acaba, e o medo de morrer começa a ceder... a moça diz “pode ir embora”. Sou tomada por uma sensação de alívio parecida com a que sinto quando o avião sai da turbulência e começa a voar em um céu de brigadeiro. Sim, é igual a aquela piada do português que batia a cabeça na parede porque depois dava alívio.
E o pior é que a vida, às vezes, é tão simples e idiota como uma piada de português...Mas tudo bem, foi só uma tarde de sábado. E, orgulhosa, afirmo: sou uma sobrevivente do formol. Por enquanto..(Nina Lemos)












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