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O pretê terapia ocupacional
A vida, certas vezes, fica muito chata. Pode ser que você fique doente. Que precise fazer vistoria do carro. Ou qualquer uma dessas coisas da vida prática que eu não preciso descrever aqui porque vocês conhecem de cor. Vale só dizer que essa que escreve vive uma espécie de momento Floradas na Serra. De repouso. Em casa. O que você faz? Terapia Ocupacional, é claro. Ou T.O, que é como os profissionais de saúde se referem ao ato de colar flores, pintar e fazer qualquer outra coisa que ocupe a mente que, como se sabe, quando está vazia, é o território do capeta. É aí que ele surge: o pretê Terapia Ocupacional. Você pensa em algum dos últimos caras que deram em cima de você (e sim, isso existe, claro) e começa usá-lo como se ele fosse um vaso de cerâmica que precisa ser pintado. Pensamos um pouquinho nele antes de dormir, mandamos um e-mail... Se estamos afins dele? Provavelmente não. Ou vocês acham que os velhinhos que passam tempos nos asilos pintando vasos estão realmente loucos de tesão por pintar aqueles trecos que serão entregues aos netos? Acho que não. E é por isso que eu acho que os velhos não devem ser largados em casas de repouso. Mas isso é outra história. Ou não. Porque no dia de hoje eu sou uma pessoa de repouso, que precisa de T.O e por isso se solidariza com todos os velhinhos de asilos do mundo. A diferença é que no meu caso vai passar. Logo estarei desfilando faceira pela rua e pela minha vida normal (que depois de um momento Floradas na Serra você descobre que é ótima. Enquanto isso, pinto vasos. Ou melhor, penso no Pretê T.O. Logo não precisarei de Terapia Ocupacional. Espero que amanhã mesmo o doutor metafórico que me aplica essa terapia me dê alta. E eu estarei livre. Livre para ir atrás do meu desejo. Que vai muito além de pintar vasos de cerâmica. Garanto. (Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 21h33

O que vocês veêm nele?
"As mulheres piraram, ficavam gritando na frente do palco como se o Thom York fosse lindo", comentou um menino na saída mega tumultuada do show mega lindo do Radiohead. O que o menino não sabe é que nós, moças, achamos o Thom York lindo, sim. Na verdade, temos certeza de que ele é maravilhoso. Sim, ele tem orelha de abano, um olho mais fechado que o outro, é todo mal-diagramado, como diz o amigo Xico Sá; Mas é por isso também que achamos o Thom lindo. Não nos venham com Fabios Assunções ou outras belezas óbvias. Somos capazes de enxergar maravilhas naqueles olhos (um mais aberto que o outro). "Mas você só diz que ele é lindo porque ele é o Thom York do Radiohead", diz o meu amigo. "Não, não", eu respondo. "Se eu encontrasse um cara igual a ele que fosse legal, ia achar esquisito, mas lindo." Não sei se convenci o amigo. Mas em um mundo de pessoas botacadas (até homens, socorro) é muito bom ver que existe weirdo assumido nesse mundo. E melhor ainda ver 30 mil pessoas cantando junto com ele. (Nina Lemos).
:: Escrito por 02 Neurônio às 15h05

Tratando as meninas como se fossem lixo
“Não sei o que é direito, só vejo preconceito, e a sua roupa nova é só uma roupa nova. Você não tem idéias pra acompanhar a moda. Tratando as meninas como se fossen lixo.”Atual, não? E olha que foi escrito há uns... 22 anos! Homens misóginos, esses seres assustadores, continuam por aí. Só que na época da escola era fácil encontrá-los.
Eles eram aqueles playboys babacas que não se aproximavam da nossa turma. Era simples assim.
Mas aí a gente cresce. E acha que já aprendeu a detectar um misógino de longe. Que nada! Eles ainda estão por aí, disfarçados. Cuidado.
O cara que trata mulher como se fosse lixo pode usar uma camiseta dos Ramones. O homem que sabe mentir mega bem e jogar baixo na hora da mentira é aquele mesmo que gosta das mesmas bandas que você.
E ainda existe cara (e não estou falando de adolescente, mas de adulto) que divide garotas entre mulher para casar e conversar e mulher para comer. E sabe o que eles fazem? Chamam as mulheres que eles comem de vagabundas. Sinceramente, ficar com uma menina e depois chamá-la de vagabunda é uma coisa assustadora e muito, muito feia.
Aos primeiros sinais de misoginia, fuja. Se ele falar que “andou saindo com umas vagabundas” ... deixe de ser amiga dele imediatamente. Não dá nem para ser amiga de alguém assim. Se ele trata as minas que pega assim, você acha mesmo que ele vai te tratar bem? Nada. Um dia ele vai mentir pra você também. Te ferrar. Te deixar na mão. Sem o menor sinal de respeito ou cavelheirsmo.
Outro sinal. Veja se ele é amigo das ex-namoradas. Se for, bom sinal. Se não for amigo de nenhuma ex, esqueça.
E qual é a saída? Oras, os milhões de homens não misóginos e nada machistas que existem por aí. São muitos. São milhares. Eles aparecem toda hora. Basta ficar atenta. Para eles dedico essa croniquinha, a minha admiração, o meu respeito, o meu amor e a minha delicadeza.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 00h58

Coisa boa é ser amiga de ex
"Eu e minha ex no botequim falando sobre nossas vidas. As novas amizades, relações, experiências, sacações." Jupiter Maçã. Lembram? Coisa linda essa música. E coisa mais linda poder ser amiga de ex. Sorte a nossa que consegue. Sorte e grandeza de espírito, amigo ex. Tem aquela história de que ex bom é ex morto. É nada. Amigo ex namorado pode ser tudo nessa vida.
Eles já conhecem a gente pra caramba. Já nos viram peladas muitas vezes,náo é? Então,náo se assustam com mais nada e não precisamos fazer tipo algum. Com amigo ex podemos chorar, falar mal dos outros e fazer aquelas piadas de humor negro com cumplicidade absoluta que ninguém nos tira. Amigo ex dá colo. E a gente também dá colo para amigo ex. Como amigo ex podemos falar mal da mãe (que eles conhecem, inclusive), falar fofocas de família e aquelas coisas íntimas que quem acabou de chegar nunca vai sacar.
É uma amizade ótima. De verdade. E eu, amiga com orgulho de vários exs, recomendo cada vez mais. Somos grandes, amigo ex, sorte a nossa.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 19h49

Meus caros amigos
Diz a lenda que um amigo, depois de uma noite inteira com uma mulher linda, um símbolo sexual desse nosso Brasil, disse: “ai, mas que saudade dos meus amigos!”. Ele não estava nem um dia todo com a menina, digo, gostosa, linda, maravilhosa, e já sentia falta deles.
É assim mesmo. E tento mais uma vez decifrar a amizade entre os homens (que é uma das coisas mais lindas, assim como a amizade entre nós, hermanas). Outro dia perguntei para o amigo com quem mais troco confidências no mundo. “É mais fácil para vocês falar sobre coisas mais íntimas com amiga mulher, né?” “Mas é claro, com meus amigos eu não falo nada íntimo.” Calma lá. Estou falando de um amigo que tem amigos pra caramba. E amigos de verdade. Ele mesmo é capaz de trocar qualquer Angelina Jolie por um amigo macho. “Mas vocês falam sobre o que quando estão sozinhos?”. “Ah, a gente faz o de sempre, celebra, grita, vive.” Eu sei bem como eles gritam.
Começamos a imaginar os passeios que Antonio Maria e Vinicius davam pela madrugada. "Será que o Vinicius contava pro Maria que ia se separar de novo?" "Duvido", diz meu amigo. "O Maria percebia que ele estava triste, não perguntava nada, e saía para beber com ele."
E para esses meus amigos queridos, incluindo os imaginários, dedico “Meu caro amigo”, de Chico Buarque. Coisa mais linda essa música.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 10h07

O Pequeno Construtor
O termo foi dito outro dia pela amiga N."Que preguiça que eu tenho desses pequenos contrutores", ela me disse.
O Pequeno Construtor tem mais de 30 anos, mas ainda vive o fervor da juventude. Calma. Estou falando da imbecilidade juvenil bem moderna e meio americanizada. Aquela que faz com que as pessoas achem que vão ser jovens para sempre e nunca vão morrer. Logo,logo ele chega aos 40, mas, provavelmente, não vai perceber. Claro, ele é um designer talentoso, que precisa conquistar o mundo. E lá vai o Pequeno Construtor não fazer revolução nenhuma na hora em que chegar ao topo e tiver vários clientes ricos na cartela do seu escritório de design. Preguiça.
Um Pequeno Construtor não sofre. Nada de dramas. A vida é uma coisa prática. Ele tem que vencer no mundo capitalista. Mas, epa! O Pequeno Construtor, que provavelmente é filho de um capitalista, nem sabe que a gente vive em uma sociedade capitalista. E provavelmente se assusta quando escuta alguém falar algo que inclua esse termo. "Capitalismo? Nossa, que engraçado alguém que usa essa palavra".
Engraçado mesmo, Pequeno Construtor ou... jovem capitalista. Vamos lá. Como um P.C trata uma menina... Mal, claro. Lembre, ele não sofre. Ele só quer conquistar o mundo. E as minas fazem parte do seu pacote. E com seu jeito de jovem eterno... bem, ele até que deve pegar algumas. Mas algo me diz que o P.E é solitário pra caramba mas, assim como esquece que existe capitalismo, também esquece que existe solidão. Claro, ele precisa acordar cedo e fazer sociais para conquistar o mundo, postos, lugares de destaque no mundo dos designers. Ele precisa CONSTRUIR. Não tem tempo para metafísicas.
Crise? Isso é uma coisa que náo existe para um Pequeno Construtor. A náo ser crise de trabalho. Mesmo assim, é uma crise de superficialidade absoluta. Do estilo: "perdi meu cliente para outro escritório". Claro, ele é competitivo. Um verdadeiro monstrinho da competição. Mas ele absolve a culpa (será que essa palavra ele conhece?) reciclcando lixo e pensando em manifestos contra o consumo, mas nada radical, espera lá! Um manifesto contra consumo pensando, assim, em consciência ambiental, uma coisa light, bonita, moderna. Esse é o máximo onde ele chega, ele, o Pequeno Construtor. Ele, que é raso como uma piscina infantil.
Um tipo normal de gente, esse Pequeno Construtor. Bem normal. Pode ser visto por aí em festinhas descoladinhas, bem vestido, bonitinho. E sem lastro, sem sofrimento, sem um mínimo de sofrimento que enobrece e faz dos homens seres quase divinos (ai, Nick Cave, amém Johnny Cash).
O mundo seria um lugar muito chato se só existissem jovens empreendedores nele. Mas existe outro tipo de gente. Amém. Aleluia! Como eu amo meus amigos homens que sabem sofrer,viver de verdade e honrar as rugas de seus rostos. Oh, meus amores. Isso, sim, é amor. Coisa que um Pequeno Construtor talvez não saiba.... construir. Mas isso é [problema deles. Não é nosso. Que se virem.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 23h48
Um paletó em casa
- Oi vó, tudo bem?
- Tudo indo minha filha. E você, tá feliz?
- Tô vó.
- Que bom, segura isso! Não dá ouvido ao que as pessoas falam, não dá conversa pro que eles dizem.
- ....
- Ninguém sabe o que se passa na sua casa, das suas dificuldades.
- É, vó?
- É! A gente sabe que com um paletó dentro de casa, pra ajudar a gente. Criar um filho sozinha é muito difícil.
- Um paletó?!
- É minha filha. Segura isso.
:: Escrito por raq affonso às 23h04

O homem que só tem amigo homem
Aí está uma boa maneira de avaliar se um cara é bacana ou não: ver se ele tem amigas mulheres. Homem que só tem amigo homem, desculpem, ainda é machista pra caramba. E isso, mais que irritar, é uma coisa que dói. Sim, eles podem disfarças, mas são misóginos.
O homem que só tem amigos homens ainda acha que a gente é uma coisa esquisita, assustadora. E, claro, só conseguem ser nossos amigos quando nos comem.
Homens legais, como os meus amigos mais queridos e os meus exs namorados (que deus os salvem), nos amam sem sexo, discutem política e até arriscam falar de futebol. E tentam nos explicar que existe uma tal Taça Brasil e um tal Campeonato Brasileirão. Ou fazem pouco da gente e respondem, como o amigo M, que a Libertadores é o maior campeonato das Américas (espera, isso eu sabia!).
Eles conversam com a gente sobre rock, vida, ou seja, qualquer coisa. Como se fossemos seres humanos normais. Ainda tem gente que acha que não somos? Sim, tem. E são os homens que não têm amigas mulheres! Aqueles que só falam com homem ou com namoradas dos amigos (existe coisa mais machista que tratar uma menina como “a mulher do cara”?). Ai, meu deus.E isso existe. Ali do lado. Ali no show de rock. Na Mercearia. Muito mais perto do que a gente pensa.
Outro dia um menino perguntou se eu tinha esses lances de feminismo. Respondi que sim. Claro que eu tenho. E quando vejo um homem que não tem amigas mulheres esse “lance” aumenta um pouquinho. Mas não tem problema. É só ter um pouco de pena deles (os que não agüentam o tranco da nossa amizade). Deve ser chata a vida só entre homens, não?
PS. O mesmo vale para meninas que só têm amigas meninas. É uma vida triste. Nada como brothers bofes para melhorarem nossas vidas perigosas.
(Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 13h17
A mulher e o passado
- Onde você estava naquela noite de 1997?
- Por que você não ligou depois daquele dia há dois anos atrás?
- O que você estava pensando depois daquele dia em que a gente se encontrou depois daquela balada em 1980?
- Por que você me tratou mal no verão de 2002?
Mulheres sempre querem discutir questões do passado. Mesmo que tenham muito tempo, e mesmo que elas nem liguem muito para a resposta. Mas elas querem saber, discutir, debater, esmiuçar em detalhes.
Pra que? Sei lá pra que. É uma coisa maior, uma vontade de registrar tudo, saber exatamente como foi, o que a pessoa estava pensando naquele exato momento. Mesmo que a própria não soubesse. Ou já tenha esquecido.
E o pior sempre é a resposta:
- Eu não me lembro! E nunca te tratei mal! Você é louca!
:: Escrito por raq affonso às 18h19

Conversa de meninos
Os homens, em uma rodinha, conversam animadamente sobre caravelas, mares desbravados e, em seguida, comentam entusiasmados os feitos do Amir Klink.
_Ele é o maior desbravador de nossos tempos, diz um deles.
_ Será que ele não sente falta de sexo? diz outro
Resolvo intervir:
_É que ele é tipo um médico que opera criancinhas. Se você está concentrado operando uma criança, não vai pensar em sexo.
Ele sempre faz cara de descrente para as minhas metáforas. Mas gosta delas, eu sei. Sacode a cabeça com ar de "como ela pode falar uma coisa dessas?" Mas em seguida imagina o Amir Klink operando uma criancinha em alto mar e abraçamos o surrealismo imaginando as operações feitas dentro de um barco.
Eu adoro me meter em uma conversa de homens. E nós, garotas, sempre damos o toque surrealista que falta em um debate de caras sobre mares desbravados, navegações e outros emocionantes papos de meninos. Eles fazem cara de descrentes. Mas, aposto, não conseguem viver sem as nossas intervenções. Em muitos sentidos.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 17h27

O Homem La Tartine
La Tartine é um famoso bistrô simpático de São Paulo. E Homem La Tartine, ou Homem Bistrô, é uma catalogação coletiva com o amigo Xico Sá, companheiro de abraço, ombro e fofoca diária via MSN. Há tempos discutimos o assunto. Sim, existe uma sub-espécie masculina bem de baixo do nosso nariz, ou bem ali no bistrô da esquina e ainda nem tínhamos reparado.
Trata-se do cara que usa o truque “jantarzinho em bistrozinho gostoso” para comer a menina. Ele convida. Faz um milhão de galanteios. Diz algo parecido com finalmente conheci a mulher da minha vida. Paga a conta. Te come. E some. Ou come algumas vezes mais, sempre repetindo que você é a mulher da vida dele e levando antes no tal bistrozinho..
Nada contra pagar a conta do jantar (pelo contrário).
Nada contra só querer comer a moça (muito pelo contrário).
Mas tudo contra precisar de jantarzinho em bistrozinho para conseguir tal feito. Coisa de homem fraco. Mas o pior é que o jantarzinho sempre vem com esse discurso de mesa com quiche e vinho: as declarações de amor falsas, as promessas que a gente não pediu. Coisa de bobo. E também de gente cafajeste de quinta.
Quem foi que disse para eles que a gente precisa de promessa romântica para dar? Não precisamos. Quem foi que disse para eles que a gente gosta tanto de quiche? Não, já enjoamos. E agora que o inverno chegou é a hora deles atacarem. “Vamos tomar uma sopinha?” E depois... ele diz que não era bem aquilo que queria dizer quando, entre uma colherada e outra, se derretia em promessas que você não pediu.
Sai pra lá, homem-bistrô!
Ainda preferimos os amigos punks adeptos dos três acordes e do faça você mesmo, que não precisam de jantarzinho nenhum. Só de boa pegada. E beijo.
(Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 18h14
Quando os pretês são uma droga
Não, meninos, vocês não são uma droga. Pelo contrário. Vocês são uns queridos, muitas vezes. O problema, que acometeu essa que vos escreve semanas atrás, acontece quando a gente resolve usar pretê como se fosse heroína. Um escape! Uma fuga! Me ajude a fugir, baby, porque a minha vida não anda fácil!
Eu explico melhor. Tem horas em que tudo fica pesado demais. A realidade fica dura. E a gente sente vontade de fugir. Como eu não uso heroína, ás vezes sofro do surto "preciso arrumar um pretê". Normal querer arrumar um amor. Mas, nesse caso, eu estava realmente querendo me drogar. Nada como inventar um amor pra fugir da realidade. Claro que dá errado. E não resolve nada. E ainda dá ressaca moral. Ou seja, homem, quando mal usado, é mesmo, sem dúvida, uma droga. Mas a culpa é nossa, usuárias...
(Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 20h13

Homens de preto
Ponte aerea das 18 horas. Estou cercada por homens de preto. Procuro uma alma amiga com olhar desesperado e uma menina de jeans sentada em cima da mochila sorri para mim. Somos praticamente as unicas pessoas que nao usam terno em toda a sala de embarque. Os homens de preto olham para a frente com umas caras que parecem dizer: "trabalho muito, sou muito ocupado, tenho jobs". Sim, homens de preto desprezam o portugues e preferem termos novaiorquinos. "Neoliberais de merda", eu penso. E lembro que ja quase namorei um homem de preto.
Os homens atras de mim (vestidos de preto) falam sobre um metodo incrivel de mershandising que usa TV de plasma digital. " Somos fodoes, somos homens de preto, trabalhamos muito, vivemos na ponte aerea". Imagino o pensamento deles todos. Neoliberais de merda!
Muitos sao mais novos que eu. E descubro uma sub-categoria dos homens de preto. Sao os que usam mochilas estilo alpinista (sociais?) e andam pela pista do Santos Dumont como se estivessem no SoHo. Tenho vontade de gritar: " ei, eu tambem trabalho! Tambem vivo na ponte-aerea e nao gosto disso!".
Olho para mim: tenis vans, bermuda jeans, camiseta, moleton de caveira e uma mochila Adidas anos 90 nas costas. Tenho a aparencia de uma hippie-punk-pedinte-maluca se comparada aos homens de preto. Quero gritar: " eu me visto assim mas eu tambem trabalho muito!".
Mas deixo para la os homens de preto e resolvo escrever uma cronica estupida. Um dia a gente acorda e descobre que virou hippie.
ps. sim, os acentos do computador sumiram momentaneamente mas decidi blogar assim mesmo.
(Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 19h09

Manifesto contra o homem supereficiente do início do século
Nada como um homem que não sabe de tudo. Esses são os melhores. Abaixo a eficiência masculina do início do século. Chega de homens que acham que sabem cozinhar, arrumar seu computador e destravar o seu ipod . Abaixo os homens que acham que podem se meter até na maneira como você usa salto alto.
Vocês conseguem imaginar o Jean Paul Belmondo (muso eterno) arrumando o computador de uma moça, pendurando um quadro e fazendo a comida dela? Nunca! Belmondo olha isso tudo de canto de olho com o cigarro no canto da boca. Belmondo não reprimiria uma namorada por sua incapacidade de cozinhar ou lidar com aparelhos eletrônicos ou o que seja.
“Não sou muito bom com aparelhos”. Ouvi isso outro dia de um rapaz e ele só não ganhou um beijo na boca bem bom na hora porque a conversa foi por telefone. Chega de homens que (acham que) sabem tudo. Porque quem sabe oprime. Abaixo a opressão! Liberté, igualité e fraternité. De eficiente, basta a minha máquina de lavar. (Por Nina Lemos)
:: Escrito por 02 Neurônio às 21h03

Eu te amo
No começo você fala no máximo: você é demais. Você é incrível. Você é um fofo.
Daí as coisas evoluem. Você pensa: Já é hora de liberar o "eu te amo"? Não! Ainda não. Afinal, ele não falou nada. E a pior coisa que pode acontecer numa pretendência é você falar o "eu te amo" no momento errado. Porque simplesmente a pessoa pode falar: que bom! Ou rir amarelo.
Então você começa a falar um "eu te adoro". No fundo, eu te amo e eu te adoro são quase a mesma coisa. Mas o eu te adoro é menos impactante.
Até que um dia, depois de várias champanhes, ele fala: eu te amo. E daí você libera. Sem nenhum risco de ouvir da pessoa: ah ta.
Só que mesmo no começo, o "eu te amo" não é liberado totalmente. Você não acorda e sai gritando eu te amo aos sete ventos. "Você é muito contida", diz o pretê. Tombos amorosos, você pensa. Muitos eu te amos em vão. Agora o momento é de cuidado.
Mas aí um dia um telefonema descontrol é dado no meio da madrugada apenas para dizer um eu te amo. Daí liberou. Geral. Inclusive, se eu quiser, posso mandar fazer um faixa daquelas escrita Eu te amo e mandar botar no meio da rua.
E viva os eu te amos. descontrols ou cuidadosos. noturnos, diurnos ou no meio da madrugadas. menos os bregas das faixas. se bem que todos eu te amos são meios bregas.
:: Escrito por raq affonso às 12h24
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